Quase todo mundo conhece alguém assim, e muita gente se reconhece. A pessoa sabe que precisa guardar, sabe que a fatura vai chegar e sabe o que um planejamento recomendaria. Ainda assim, repete o mesmo comportamento financeiro, mês após mês. Por isso, a conversa costuma terminar em cobrança: falta disciplina, falta foco, falta força de vontade. Na verdade, esse jeito de lidar com dinheiro tem outro nome: padrão.
O que é um padrão de comportamento financeiro
Um padrão de comportamento financeiro é um jeito de lidar com dinheiro que se repete porque cumpre uma função. Quase sempre, essa função é emocional: aliviar uma tensão, evitar uma vergonha ou garantir um lugar entre os outros. O gasto, o adiamento, a evitação e o excesso de controle são apenas a parte visível.
Por isso, a informação sozinha muda tão pouco. No Método Mahout, o condutor é a parte que sabe fazer conta, e o elefante é a parte emocional. Em outras palavras, a informação conversa com o condutor. Já o padrão mora no elefante, que é quem decide no momento do aperto.
Consequentemente, cobrar disciplina de quem tem um padrão costuma funcionar por pouco tempo. A força de vontade ajuda numa semana boa e desaparece na semana ruim. Ainda assim, é justamente na semana ruim que o padrão aparece.
Como um padrão se forma
Em geral, o comportamento financeiro é aprendido cedo. Uma frase ouvida em casa, uma perda, o primeiro emprego, um grupo em que era preciso caber. Com o tempo, o que foi aprendido se repete até virar automático, muito antes de existir escolha.
Além disso, quase todo padrão nasceu como solução. Em algum momento, evitar o extrato protegeu de uma notícia ruim, ou gastar com os outros garantiu pertencimento. Hoje, a mesma solução pode custar mais do que entrega. Por isso, olhar para o padrão com curiosidade funciona melhor do que olhar com culpa.
Sinais de que é padrão, e não decisão
Alguns sinais ajudam a diferenciar uma coisa da outra:
- Primeiro, repete-se mesmo quando você sabe o que seria melhor fazer.
- Além disso, aparece em situações parecidas: cansaço, conflito, fim de mês, convite do grupo.
- Em geral, traz alívio rápido e culpa depois.
- Muitas vezes, vem acompanhado de uma frase pronta: “eu mereço”, “depois eu vejo”, “todo mundo faz”.
- Por fim, pode ter o sinal contrário: dificuldade de gastar com você ou de cobrar o que o seu trabalho vale.
Quando o padrão é fugir dos números, por exemplo, ele costuma custar a paz financeira. Já quando aparece no expediente, vira ansiedade financeira no trabalho.
Três perguntas para reconhecer o seu
Reconhecer um padrão começa com perguntas pequenas e honestas. Experimente estas três:
- Primeiro, em que situação isso acontece? Procure o gatilho: um horário, uma pessoa, um estado de espírito.
- Em seguida, o que eu sinto logo antes e logo depois? Muitas vezes, o comportamento aparece entre dois sentimentos.
- Por fim, o que eu estou evitando sentir ou tentando garantir? Aqui costuma estar a função do padrão.
Na prática, essas perguntas funcionam melhor com curiosidade do que com pressa. Os pontos em que você mais se reconhecer mostram por onde o trabalho pode começar. Além disso, quando a história por trás do padrão ainda dói muito, vale buscar acompanhamento profissional.
Reconhecer o padrão abre espaço para a escolha
Entre o impulso e a decisão existe um intervalo. Por isso, reconhecer o padrão é o que torna esse intervalo visível. Foi observando esse movimento no escritório de planejamento financeiro e no consultório de psicologia que nasceu o Método Mahout.
No livro Não é falha sua, os capítulos percorrem as cinco etapas do método, do reconhecimento do padrão de origem até a antecipação dos desvios. Ao longo da leitura, exercícios levam você a aplicar em si mesmo o que acabou de ler. O livro está disponível em e-book na Amazon, também no Kindle Unlimited, e em edição impressa no Clube de Autores. Adquire seu exemplar.
Não é falha sua. É padrão.
Maria Manso é Planejadora Financeira CFP® e Psicóloga, criadora do Método Mahout e autora de Não é falha sua.